O reinado da lâmpada incandescente no universo da iluminação foi longo: mais de 120 anos transcorreram desde que a primeira delas foi acesa, em 1879, no laboratório de Thomas Edison, à sua deposição (que, no Brasil, foi sacramentada pelo “apagão” elétrico de 2001, sob a acusação de ser esbanjadora). Mais eficiente e mais durável, a lâmpada fluorescente foi prontamente aclamada como sucessora natural, mas antes mesmo da conclusão dessa transição, um postulante começou a ganhar força na disputa pelo trono: o LED.
Os Light Emiting Diodes (ou Diodos Emissores de Luz), aquelas diminutas luzinhas há algumas décadas incorporadas aos painéis de comando de praticamente todos os equipamentos eletroeletrônicos produzidos no planeta, permitiram que os proprietários de aparelhos de som, por exemplo, soubessem que botão acionar para ligá-los ou desligá-los – mesmo com todas as luzes apagadas. Nessa encarnação mais simples, os LEDs já estão presentes na maioria das residências do planeta. A novidade na área é que, no compasso das pesquisas, essas lâmpadas ganharam versões de alta potência, que vêm assumindo um papel cada vez mais importante no trabalho de lighting designers dos quatro cantos do mundo e, muito em breve, deverão estar maduras para assumir uma posição dominante no segmento de iluminação.
A luz do futuro:
“Tudo o que sabemos hoje a respeito de lâmpadas se tornará obsoleto”, assegura Eduardo Polidoro, chefe de produtos de luminária e LEDs da Philips do Brasil. “Essa é uma questão de ponta. Todos os grandes fabricantes do setor têm investido de forma muito agressiva nessa tecnologia”, completa. É briga para gente muito grande. Nos últimos dois anos, a própria Philips desembolsou aproximadamente € 1,3 bilhão com a aquisição de empresas que pudessem lhe garantir uma boa dianteira num mercado ainda longe de amadurecer. A GE gastou US$ 100 milhões para consolidar seu controle acionário sobre a GELcore e pavimentar sua entrada no setor.
Tamanho entusiasmo em relação às pequenas notáveis se justifica por uma série de razões. “Um LED chega a ter vida útil superior a 50 mil horas, enquanto uma boa dicróica não passa das seis mil. Além disso, eles funcionam com correntes mais baixas, o que os torna mais seguros; são resistentes a choques mecânicos, têm acendimento instantâneo, podem ser facilmente dimerizados, produzem luz de qualquer cor e, por serem miniaturizados, podem ser instalados em quase qualquer lugar”, enumera a engenheira elétrica Patrícia Traldi, que desenvolve projetos de iluminação e aplicação de produtos para a La Lampe há dois anos.
Essas são vantagens importantes, mas a verdadeira cereja do bolo está no importante quesito da eficiência energética – fator cada vez mais valorizado em tempos de aquecimento global. “Os LEDs de hoje têm eficiência que gira entre 25 e 60 lumens por watt (lm/W), dependendo do tipo de que estivermos falando. Em comparação, as incandescentes dão entre 10 e 15 lm/W e as halógenas, algo entre 13 e 25 lm/W. Eles ainda perdem para os 50 e 90 lm/W das boas fluorescentes”, explica a engenheira, ressaltando a eficácia dos LEDs ano a ano.
Segundo Eduardo Polidoro, produzir luz não é tudo, pois os LEDs levam uma vantagem importante em termos do aproveitamento. “Enquanto nos LEDs você consegue direcionar até 95% da luz produzida para o ponto a ser iluminado, numa lâmpada normal esse número não passa de 65%”, diz. O profissional informa que, no começo deste ano, os laboratórios da Philips conseguiram chegar, num protótipo ainda não comercializado, à marca de 115 lm/W num LED – o que certamente não lança boas perspectivas sobre a dianteira das fluorescentes.
Restrições:
Apesar da animação, ainda existe um longo caminho a ser percorrido até que os LEDs sejam considerados uma tecnologia standard de iluminação. “Não se trata apenas de desenvolvê-la, também precisamos conseguir escala de produção”, avalia Eduardo, resvalando no principal obstáculo que essa tecnologia enfrenta hoje: os preços elevados. De acordo com Patrícia, da La Lampe, uma solução LED pode custar quase sete vezes mais que uma dicróica equivalente. Ao contrário do que acontece com as compactas, a economia na conta elétrica ainda não compensa os gastos maiores na instalação. “Ainda não chegamos àquele ponto em que a relação 'custo x benefício' é boa para todo mundo. Se você pensar em um projeto de embelezamento urbano, por exemplo, a maior durabilidade do LEDs ajuda a reduzir os custos de manutenção; fora isso, essa ainda não é uma solução para quem pensa só nos custos”, admite Eduardo.
O presente:
Até que os preços baixem e as versões mais potentes se tornem comuns, Patrícia Traldi recomenda o uso dos LEDs somente em aplicações especiais. “Existe uma lenda muito difundida no meio de que os LEDs já poderiam ser utilizados em projetos de iluminação geral. Isso simplesmente não é verdade. Por enquanto, só os recomendo na iluminação decorativa, balizamento de piscinas e garagens e efeitos pontuais, como destacar uma superfície ou usar um facho para ‘pintar’ uma parede”, explica a profissional, que ainda considera o brilho deles insuficiente para, por exemplo, uma sala de leitura.
Há outros senões a vencer. Ao contrário de tecnologias mais maduras, um LED não pode ser simplesmente rosqueado a um soquete sem maiores cuidados. “Atualmente, essa é a maior confusão do mercado. O LED precisa de uma instalação especial na rede elétrica, pois requer uma peça chamada driver, que controla sua voltagem e corrente”, alerta Patrícia.
Apesar de tudo – preços pouco convidativos, complexidade maior de instalação e restrições no uso –, a importância desse recurso ganhou novos contornos. “Desde que incluímos peças com LED em nosso portfólio, há quatro anos, a demanda por esses produtos só cresceu”, constata Patrícia, “e se a tendência de aumento na eficiência e a queda nos preços for mantida, teremos grandes mudanças”.

Uma das características mais interessantes dos LEDs é sua capacidade de produzir luz com cores extremamente saturadas, o que permite grande variedade de efeitos no projeto luminotécnico.

LED utilizado na iluminação de interiores.
Utilização de LEDs na fachada do edifício - Sede da UNIQA - Viena, Áustria.
Mais um exemplo da utilização de LEDs na iluminação de fachadas de edifícios.






















