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Agora vai! Depois de um longo período de hibernação, novos posts... 'Projetando n(O) Mundo' 2009!



domingo, 28 de outubro de 2007

LED - Presente e futuro

LED - Presente e futuro
LED - Present and future
LED - Presente y futuro

O reinado da lâmpada incandescente no universo da iluminação foi longo: mais de 120 anos transcorreram desde que a primeira delas foi acesa, em 1879, no laboratório de Thomas Edison, à sua deposição (que, no Brasil, foi sacramentada pelo “apagão” elétrico de 2001, sob a acusação de ser esbanjadora). Mais eficiente e mais durável, a lâmpada fluorescente foi prontamente aclamada como sucessora natural, mas antes mesmo da conclusão dessa transição, um postulante começou a ganhar força na disputa pelo trono: o LED.

Os Light Emiting Diodes (ou Diodos Emissores de Luz), aquelas diminutas luzinhas há algumas décadas incorporadas aos painéis de comando de praticamente todos os equipamentos eletroeletrônicos produzidos no planeta, permitiram que os proprietários de aparelhos de som, por exemplo, soubessem que botão acionar para ligá-los ou desligá-los – mesmo com todas as luzes apagadas. Nessa encarnação mais simples, os LEDs já estão presentes na maioria das residências do planeta. A novidade na área é que, no compasso das pesquisas, essas lâmpadas ganharam versões de alta potência, que vêm assumindo um papel cada vez mais importante no trabalho de lighting designers dos quatro cantos do mundo e, muito em breve, deverão estar maduras para assumir uma posição dominante no segmento de iluminação.

A luz do futuro:

“Tudo o que sabemos hoje a respeito de lâmpadas se tornará obsoleto”, assegura Eduardo Polidoro, chefe de produtos de luminária e LEDs da Philips do Brasil. “Essa é uma questão de ponta. Todos os grandes fabricantes do setor têm investido de forma muito agressiva nessa tecnologia”, completa. É briga para gente muito grande. Nos últimos dois anos, a própria Philips desembolsou aproximadamente € 1,3 bilhão com a aquisição de empresas que pudessem lhe garantir uma boa dianteira num mercado ainda longe de amadurecer. A GE gastou US$ 100 milhões para consolidar seu controle acionário sobre a GELcore e pavimentar sua entrada no setor.

Tamanho entusiasmo em relação às pequenas notáveis se justifica por uma série de razões. “Um LED chega a ter vida útil superior a 50 mil horas, enquanto uma boa dicróica não passa das seis mil. Além disso, eles funcionam com correntes mais baixas, o que os torna mais seguros; são resistentes a choques mecânicos, têm acendimento instantâneo, podem ser facilmente dimerizados, produzem luz de qualquer cor e, por serem miniaturizados, podem ser instalados em quase qualquer lugar”, enumera a engenheira elétrica Patrícia Traldi, que desenvolve projetos de iluminação e aplicação de produtos para a La Lampe há dois anos.

Essas são vantagens importantes, mas a verdadeira cereja do bolo está no importante quesito da eficiência energética – fator cada vez mais valorizado em tempos de aquecimento global. “Os LEDs de hoje têm eficiência que gira entre 25 e 60 lumens por watt (lm/W), dependendo do tipo de que estivermos falando. Em comparação, as incandescentes dão entre 10 e 15 lm/W e as halógenas, algo entre 13 e 25 lm/W. Eles ainda perdem para os 50 e 90 lm/W das boas fluorescentes”, explica a engenheira, ressaltando a eficácia dos LEDs ano a ano.

Segundo Eduardo Polidoro, produzir luz não é tudo, pois os LEDs levam uma vantagem importante em termos do aproveitamento. “Enquanto nos LEDs você consegue direcionar até 95% da luz produzida para o ponto a ser iluminado, numa lâmpada normal esse número não passa de 65%”, diz. O profissional informa que, no começo deste ano, os laboratórios da Philips conseguiram chegar, num protótipo ainda não comercializado, à marca de 115 lm/W num LED – o que certamente não lança boas perspectivas sobre a dianteira das fluorescentes.

Restrições:

Apesar da animação, ainda existe um longo caminho a ser percorrido até que os LEDs sejam considerados uma tecnologia standard de iluminação. “Não se trata apenas de desenvolvê-la, também precisamos conseguir escala de produção”, avalia Eduardo, resvalando no principal obstáculo que essa tecnologia enfrenta hoje: os preços elevados. De acordo com Patrícia, da La Lampe, uma solução LED pode custar quase sete vezes mais que uma dicróica equivalente. Ao contrário do que acontece com as compactas, a economia na conta elétrica ainda não compensa os gastos maiores na instalação. “Ainda não chegamos àquele ponto em que a relação 'custo x benefício' é boa para todo mundo. Se você pensar em um projeto de embelezamento urbano, por exemplo, a maior durabilidade do LEDs ajuda a reduzir os custos de manutenção; fora isso, essa ainda não é uma solução para quem pensa só nos custos”, admite Eduardo.

O presente:

Até que os preços baixem e as versões mais potentes se tornem comuns, Patrícia Traldi recomenda o uso dos LEDs somente em aplicações especiais. “Existe uma lenda muito difundida no meio de que os LEDs já poderiam ser utilizados em projetos de iluminação geral. Isso simplesmente não é verdade. Por enquanto, só os recomendo na iluminação decorativa, balizamento de piscinas e garagens e efeitos pontuais, como destacar uma superfície ou usar um facho para ‘pintar’ uma parede”, explica a profissional, que ainda considera o brilho deles insuficiente para, por exemplo, uma sala de leitura.

Há outros senões a vencer. Ao contrário de tecnologias mais maduras, um LED não pode ser simplesmente rosqueado a um soquete sem maiores cuidados. “Atualmente, essa é a maior confusão do mercado. O LED precisa de uma instalação especial na rede elétrica, pois requer uma peça chamada driver, que controla sua voltagem e corrente”, alerta Patrícia.

Apesar de tudo – preços pouco convidativos, complexidade maior de instalação e restrições no uso –, a importância desse recurso ganhou novos contornos. “Desde que incluímos peças com LED em nosso portfólio, há quatro anos, a demanda por esses produtos só cresceu”, constata Patrícia, “e se a tendência de aumento na eficiência e a queda nos preços for mantida, teremos grandes mudanças”.

Localizado nas Ilhas Canárias (Espanha), o parque aquático de Lagos Martianez usa a iluminação de LEDs para dar a seu público a sensação de se “nadar em luz”.

Uma das características mais interessantes dos LEDs é sua capacidade de produzir luz com cores extremamente saturadas, o que permite grande variedade de efeitos no projeto luminotécnico.


LED utilizado na iluminação de interiores.

Utilização de LEDs na fachada do edifício - Sede da UNIQA - Viena, Áustria.

Mais um exemplo da utilização de LEDs na iluminação de fachadas de edifícios.

Fonte: Casa & Mercado - Editorial - Tecnologia

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

EcoPool® - Um oásis natural na sua casa

EcoPool® - Seu oasis natural particular
EcoPool® - Your private natural oasis

EcoPool® - Tu oasis natural privado

Criada pelo francês Pierrot Laurent, a EcoPool® promete uma integração mais harmonioza entre a piscina e o paisagismo ao seu redor. Além disso, utiliza materiais 100% naturais, ao contrário das piscinas convencionais de PVC, poliestireno, etc.

EcoPool® é uma tecnologia desenvolvida para piscinas naturais. O tratamento da água é feito por eletrólise, o que elimina a necessidade de cloro. Além da piscina, paisagistas da empresa criam o cenário perfeito para completar ambientes externos aconchegantes e ecologicamente corretos, criando verdadeiros paraísos cinematográficos
.


EcoPool:
www.ecopool.com

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Protestando através da arquitetura

Ativistas sul-coreanos criam casa com forma de vaso sanitário
South Korean activists create a toilet-shaped house
Activistas surcoreanos crean una casa en forma de toilet

Em um ato de protesto contra o fato de 2 bilhões de pessoas não terem banheiros em casa, ativistas sul-coreanos da associação internacional World Toilet Organization (???) criaram a 'casa-lavatório'.

A casa-lavatório em imagens de computador


A casa, que foi toda construída em aço, concreto branco e vidro, possui um 'banheiro mostruário' central e mais 3 banheiros que contam com a utilização de metais elegantes, dispositivos modernos de conservação de água, etc.

O local poderá ser visitado a partir de novembro desse ano, quando acontece o primeiro congresso da associação. A casa, que foi construída por Sim Jae-duck, presidente da associação internacional, foi chamada de Haewoojae, que em coreano significa 'o refúgio onde as pessoas podem resolver suas preocupações'.

Como disse Joseoly Moreira em seu blog: "Que tal o Congresso brasileiro aproveitar a idéia e construir um novo anexo em Brasília? Afinal de contas, o que os políticos fazem na vida pública é coisa digna da privada...".

Casa-sanitário recebe últimos retoques em Suwon, que fica cerca de 45 quilômetros ao sul de Seul, na Coréia do Sul. O local será aberto para visitas no dia 11 de novembro desse ano.

Mais informações:

http://www.worldtoilet.org/
http://www.reuters.com/article/lifestyleMolt/idUSSEO13684020071009

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Casas mais baratas com a industrialização da construção civil

Casas mais baratas
Cheaper houses
Casas más baratas

Paredes de concreto, vários modelos de blocos: as novidades da indústria da construção civil podem ajudar a aumentar a oferta de casas populares no país. Uma casa de
42 metros quadrados sai por R$15 mil enquanto o preço normal ficaria em torno de R$19 mil. A explicação: a tecnologia usada na obra.

A retificação da alvenarias é feita através da injeção de concreto em vez da utilização de blocos ou tijolos. Assim foram construídas 700 casas em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O método usa formas que são preenchidas com concreto. O material é até 20% mais caro do que os blocos, mas tem vantagens. “Esse aumento de preço imediato na unidade consegue ser amenizado quando você faz uma construção em escala, quando você tem muitas unidades a serem feitas O ganho de velocidade é muito grande também”, explica Maria Alice Moreira, diretora comercial da SH Formas.

Os velhos blocos de cimento também estão nos novos métodos. Bastou desenvolver uma família deles com vários tamanhos diferentes: o pedreiro não precisa mais ficar quebrando os blocos em busca daquele pedacinho que falta. “O desperdício numa casa dessas está na ordem de 4%, e a construção civil em média tem 20% de desperdício”, compara Carlos Eduardo Cabanas, diretor do Senac.

O barateamento da construção civil é decisivo para a redução do déficit habitacional brasileiro. Estima-se que no país oito milhões de famílias não têm onde morar no país; 93% delas têm renda de no máximo três salários mínimos. A secretária Nacional de Habitação diz que espera o desenvolvimento e a padronização das novas tecnologias para que elas possam ser usadas em conjuntos populares: “Nós caminhamos bastante nessa questão da normatização, principalmente de medidas, certificação de produto. Nós temos um ambiente hoje tanto para a iniciativa privada quanto para o poder público que favorece que essas iniciativas ganhem maior fôlego”, afirma Inês Magalhães.

Industrialização de processos construtivos
Constructive processes industrialization
Industrialización de procesos constructivos

A Rodobens não utiliza nem um tijolo sequer na construção de seus condomínios residenciais. Ergue as paredes das casas com formas de aço, que são preenchidas com concreto armado. A Rossi ainda os usa, mas, por sua vez, abandonou a fundação nas casas que constrói Brasil afora. Monta uma base de concreto no solo e ergue as residências sem os tradicionais pilares. Já a Braskem, que, diretamente, nada tem a ver com a construção de casas, está investindo pesado na divulgação de um processo de construção que usa paredes de PVC revestidas de concreto.

Com a expectativa de um aumento sem precedentes na escala de construção de habitações para a baixa renda, as principais incorporadoras, fabricantes de materiais de construção e até mesmo fornecedores de matérias-primas, como a Braskem, estão investindo na industrialização dos seus processos construtivos. O objetivo de todas essas empresas é encontrar soluções que tornem o ciclo de erguer uma residência mais curto e, também, mais barato. Estão todos em busca de melhores soluções para adequar os processos com uma escala que ainda não conheciam. "O tijolo, por exemplo, vai ser aposentado das construções populares em escala industrial", afirma Geraldo Cesta, diretor técnico da Rodobens Negócios Imobiliários.

O fim do tijolo, como profetiza Cesta, é apenas um indicador de que as coisas estão, de fato, mudando nos canteiros de obras do país. Processos construtivos utilizando formas de aço, de PVC, estruturas completas em concreto ou mesmo casas de plástico não são necessariamente novos. Alguns existem há mais de quarenta anos, mas raramente vinham sendo utilizados no Brasil. E a razão disso, claramente, era a falta de escala que acometeu o setor imobiliário nos últimos 20 anos. "Processos como o de utilização do concreto para a construção total de uma residência é mais caro que a tradicional alvenaria", diz Ary Fonseca, gerente de edificações da Associação Brasileira de Cimento Portland. "Mas em escala, ele é mais barato e, principalmente, muito mais rápido."

Processos que utilizam formas preenchidas de concreto, quase como se fossem casas de montar, tem uma economia média de tempo de 50%. Além disso, o número de empregados por metro quadrado também cai. "Mas uma das coisas mais importantes é que há a garantia de uniformização, o processo se torna industrial, não há mais as variações do processo artesanal", diz Maria Alice Moreira, diretora comercial da SH Formas. Maria Alice fala em causa própria. A SH vem investindo pesado na produção de formas de aço galvanizado para casas populares. Finalizou este mês o produto que pretende vender ou alugar para as construtoras. Batizado de Morar SH, o conjunto de formas que podem criar casas de várias configurações será apresentado esta semana na feira Concrete Show, que ocorre em São Paulo. "Estamos confiantes que os tijolos não entrarão mais nos canteiros de obras; já produzimos 5 mil metros quadrados de formas", diz ela.

É também na Concrete Show que a Braskem quer ver decolar um processo parecido, no qual vem investindo nos últimos dois anos. Semelhante ao produto da SH, a Braskem quer popularizar no Brasil o sistema de formas de PVC. Também preenchido com concreto, a diferença desse modelo é que as paredes são de plástico, não de concreto. "Acreditamos que esse processo construtivo pode, a médio prazo, ampliar em até 10% a demanda de PVC no Brasil, que hoje é de 800 mil toneladas", afirma Luciano Nunes, gerente de desenvolvimento de novos mercados da Braskem. A companhia não pretende vender a solução final, apenas a matéria-prima. Mas vem atuando com vigor junto a seus parceiros para popularizar o produto.

A Royal Mercosur, subsidiária latino americana da canadense Royal Technologies, é uma dessas parceiras da Braskem. Hoje as poucas formas de PVC vendidas pela Royal no Brasil vem da Argentina, onde mantém uma fábrica que abastece o mercado local e as construtoras chilenas, que já vem usando o método há alguns anos. "Se de fato ocorrer o que estamos pensando, a companhia está pronta para implantar uma unidade produtiva no Brasil já no ano que vem", diz o argentino Carlos Torres, que dirige a filial brasileira da Royal. "Já temos em vista, inclusive, três possíveis áreas para construir nossa fábrica no Brasil".

Mas não são só as formas que estão disputando espaço com a construção tradicional. Na Rossi, os pedreiros ainda assentam os tijolos um a um. Mas, por lá, o longo processo de fundação das residências está sendo abandonado. "Onde o solo permite, fazemos uma forte compactação e construímos uma laje de 11 centímetros diretamente sobre o terreno, não precisamos nem usar vigas", diz Renato Diniz, diretor de empreendimentos da Rossi. O processo vem dando tão certo que agora a característica do solo é ponto fundamental na decisão de se comprar um novo terreno voltado para empreendimentos populares.

A Marcopolo, por meio de sua divisão de componentes plásticos, a MVC, desenvolveu casas inteiras de plástico. Os moldes são vendidos separados, já com portas, janelas e espaço para as instalações hidráulica e elétrica, e montados sobre a fundação da casa. A companhia já produziu 23 mil metros quadrados dessas casas e vendeu a maioria para Angola. Com a expectativa de explosão do mercado imobiliário de baixa renda, a empresa espera que nos próximos três anos 50% de seu faturamento venham das casas de plástico. "Nossa unidade tem capacidade para produzir 900 mil metros quadrados por ano e assim que atingirmos esse limite vamos expandir a produção", diz, empolgado, Gilmar Lima, diretor geral da MVC.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Discutindo a Arquitetura Sustentável - Parte 1

Discutindo a arquitetura sustentável
Discussing sustainable architecture

Discutiendo la arquitectura sostenible


Muitas pessoas estão criticando a onda do 'green building', da 'construção sustentável'. Alguns dizem ser um
problema dos ricos, outros dizem ser um problema dos maus arquitetos. Segundo esses críticos, os maus arquitetos se organizam sempre com temas secundários e dizem coisas do tipo: "a arquitetura é sociologia, é linguagem, semântica, semiótica", inventando a 'arquitetura inteligente' e a 'arquitetura sustentável'. Ainda segundo eles, tudo isso são complexos de má arquitetura, que para ser boa, está implícito ser sustentável. Para eles a preocupação pela sustentabilidade revela mediocridade; não se pode aplaudir um edifício porque seja sustentável pois seria como aplaudi-lo porque está de pé. Tudo bem que esse negócio de 'arquitetura sustentável' já está sendo muito "marquetado" e "picaretado". Mas será que não vale a pena celebrar os que além de projetar 'belas obras arquitetônicas' também primam pelos valores da sustentabilidade?

O fato do grande público, dos clientes, da mídia e dos ditos maus arquitetos dar um peso excessivo, distorcido ou deslumbrado a determinado tema não desabona o tema em si. A sustentabilidade é um conceito muito amplo. Negar que é uma preocupação que andou anos e anos descolada dos "partidos" dos mais variados projetos (arquitetura, design, indústria, etc.) é leviano. Negar que tem gente que nunca deixou de se preocupar com isto ou que se preocupa há muito mais tempo é injusto. A boa arquitetura é arquitetura sustentável HOJE, senão, sejamos francos, quantas páginas de livros e revistas teriam que ser arrancadas? Quantos projetos de grandes arquitetos (inclusive que hoje podem ser associados a esta preocupação) teriam que ser subtraidos do rol dos eleitos como boa arquitetura? Sob esta análise superficial, Mies ou Niemeyer teriam tantos projetos ruins, não? Mas hoje, e não na época, há tecnologia para transformar aquelas imensas fachadas envidraçadas em brises, fonte de energia fotovoltáica; há novos sistemas de ar-condicionado, iluminação artificial, controle automatizado de utilização, consumo, etc.

A "régua da sustentabilidade", tenha ou não esse nome, move-se constantemente, de acordo com a tecnologia disponível no momento. Se Mies hoje pode ser taxado de anti-ecológico, na época, vinha normalmente empacotado no grupo do modernismo engajado em conforto térmico de Le Corbusier e afins. O exemplo mais próximo e bem acabado é Rino Levi. AGORA, mesmo que o conceito de Kwh/m2 seja recente, a FAU sempre foi, desde sua inauguração, um péssimo exemplo de construção em relação ao conforto térmico, apesar de que sempre foi taxada como exemplo de boa arquitetura.

A questão do conforto na arquitetura está colocada desde seu instinto inicial do homem, não? O primeiro abrigo já é uma busca de conforto, além da segurança. Seis mil anos depois, alguns "abrigos" são "projetados" com menos conforto que uma cabana pré-histórica. A questão do conforto estava colocada antes de 'conforto ambiental' virar uma ciência aplicável à arquitetura.

Vale lembrar que o conforto térmico é apenas um exemplo de questão a ser trabalhada dentro do amplo tema 'sustentabilidade'. A sustentabilidade de uma construção pode ser medida e classificada em diferentes níveis, assim como já acontece em processos de certificação. Quanto maior o número de questões estudadas e trabalhadas em uma construção (com a ajuda da tecnologia disponível no momento), maior o 'índice de sustentabilidade' da mesma. Será que uma construção pode ser 100% sustentável? Esse é um dos nossos desafios.

A história, desde as primeiras construções do início da civilização, já nos deu alguns exemplos de construções que trabalharam questões da 'arquitetura sustentável', no entanto, somente agora (últimos anos) com o boom de notícias e discussões sobre o aquecimento global e preservação do meio ambiente, veio à tona o tema. Com isso, muitas pessoas estão explorando cada vez mais um nicho de mercado que está em plena ascensão. Esse boom criado também por especialistas que inundam a imprensa, chega não como algo sério e necessário, mas como uma espécie de 'fetiche', como algo chic dentro da "moda - tendência - arquitetônica" (Ex: Casa Cor do Rio de 2007), tal como aconteceu com o 'moderno' e principalmente com o 'historicismo pós-moderno'.

Não podemos esquecer que a crítica da arquitetura deve ser embasada na crítica da sociedade, pois é a ela que a arquitetura serve e a ela que a arquitetura contribui para mudar ou permanecer como está. A arquitetura, em seu caráter artístico, técnico e social, tem potencialidade para contribuir na mudança social para a sustentabilidade, para a coletivização dos processos de auto-produção e para a redução de 'falsas necessidades' criadas pela "indústria cultural".

Esse texto é uma combinação de frases e parágrafos de minha autoria com comentários de várias pessoas retirados de páginas da internet (todas disponíveis na seção de sites e blogs) que tratam do tema 'arquitetura sustentável'. Ele também contém considerações do arquiteto português Eduardo Souto Moura, em entrevista ao El País postadas no blog do Alencastro.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Cidades solares

Cidades solares
Solar cities
Ciudades solares

Segundo Carlos Faria, diretor da Associação Brasileira dos Fabricantes de Equipamentos de Refrigeração, Ar-condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), no final de 2005 havia cerca de 2,8 milhões de m² de painéis de aquecimento solar de água no país, sendo que em 2006, houve um salto para 3,2 milhões de m², presentes em 670 mil residências (1,25% do total de domicílios do Brasil). Ainda segundo ele, o preço do produto nacional é mais barato que o da China (maior fabricante mundial de aquecedores solares), da Alemanha, Grécia, Áustria ou Israel.



Segundo a Abrava, a utilização de energia solar no país, em 2006, evitou a emissão de mais de 200 mil toneladas de CO2 na atmosfera, o que representa a capacidade de absorção de uma área verde de 260,4 km². Além disso, gerou uma economia para o país de cerca de R$ 1,7 bilhão, retirando do horário de ponta o equivalente a uma usina hidroelétrica de mais de 500 MW, evitando ainda o alagamento de uma área de 176,4 km² que seria necessária para a construção de usinas hidroelétricas.



Hoje o Brasil conta com cerca de 100 indústrias que fabricam quipamentos para o aquecimento de água por meio de energia solar. A Abrava conta com 25 associadas que respondem por 90% do mercado. As indústrias internacionais também começam a se interessar pelo mercado brasileiro. Recentemente, duas companhias alemãs desembarcaram no país, mais precisamente em São Paulo: a SunTechnics e a Conergy (maior empresa de energia solar do mundo). Segundo a Abrava, elas chegaram para fazer parcerias já que não compensa ter uma planta própria aqui e a opção de importar o produto alemão teria um custo muito alto.

SÃO PAULO APROVA LEI QUE OBRIGA A UTILIZAÇÃO DE ENERGIA SOLAR EM NOVAS EDIFICAÇÕES:

Os recursos naturais encontram-se cada vez mais escassos e os impactos ambientais constituem uma preocupação global, devendo ser incentivada, entre outras medidas, a utilização de fontes de energia sustentáveis. A partir desse premissa, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, sancionou o Projeto de Lei nº 14.459/07, que torna obrigatória a instalação de sistemas de aquecimento de água por meio do uso de energia solar nas novas edificações. Outras cidades brasileiras também contam com legislação sobre o assunto: Belo Horizonte (MG), Birigui (SP), Campinas Grande (PB) e Porto Alegre (RS).

Com a nova lei, a instalação de aquecedores solares passa a ser obrigatória nas novas edificações residenciais que tenham mais de três banheiros. Entre os imóveis de uso não-residencial, a legislação valerá para hotéis e motéis, clubes esportivos, casas de banho e sauna, academias de ginática e lutas marciais, escolas de esportes e estabelecimentos de locação de quadras esportivas, clínicas de estética, institutos de beleza e cabelereiros, hospitais, unidades de saúde com leitos e casas de repouso, escolas, cheches, abrigos, asilos e albergues, quartéis, indústrias (se a atividade setorial específica demandar água aquecida ou a empresa tiver vestiários para funcionários), lavanderias industriais, de prestação de serviços ou coletivas. Haverá obrigatoriedade também para as edificações, novas ou antigas, que venham a construir piscinas de água aquecida.

Segundo Eduardo Aulicino, gerente de eco-economia da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, a lei procura ser o mais abrangente possível, atingindo os grandes consumidores e fazendo com que seja adotada por quem pode pagar por essa tecnologia. Com isso, novas empresas surgirão nesse setor, criando mais e melhores condições para que, futuramente, residências com até três banheiros (80% do total) possam adotar a energia solar. Com a nossa legislação, espera-se que o mercado seja ativado de fato, assim como acontece na China, onde há uma explosão de equipamentos para a utilização de energia solar. De acordo com Aulicino, as condições da cidade de São Paulo permitem que 80% da água seja aquecida pela energia solar, sendo que a lei exige no mínimo 40%, considerando os prédios com baixa insolação e os dias nublados. O custo médio do equipamento para uma residência com quatro pessoas é de R$ 2 mil, enquanto a estimativa é economizar 40% na conta de luz, segundo a prefeitura. A lei ainda define que os equipamentos tenham o selo do Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro), com garantia de 5 anos.

O projeto nasceu dentro do Comitê Municipal de Mudanças Climáticas e Eco-Economia da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, em uma de suas reuniões na qual o Instituto para o Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz (Vitae Civilis) fez uma apresentação sobre a normatização vigente em Barcelona (Espanha). A diferença entre a lei paulistana e a espanhola não é grande, existe apenas na linha de corte de quem deve ou não instalar o equipamento de energia solar; enquanto em Barcelona a lei recai sobre prédios que consomem 1.750 kW/hora por mês, em São Paulo esse cálculo não foi utilizado porque o gasto é menor. O projeto da cidade espanhola foi aprovado em 1999 e entrou em vigor em 2000. Desse ano até 2004 o mercado cresceu 13 vezes, o projeto foi copiado por outras 35 cidades da Espanha, e finalmente, em 2005, foi in corporado ao Plano Nacional de Habitação espanhol.

Para discutir este mercado no Brasil, Délcio Rodrigues, físico e pesquisador associado ao Instituto Vitae Civilis, coordenou entre 2004 e 2005, uma pesquisa denominada "Um Banho de Sol Para o Brasil". A equipe de estudos registrou quatro grandes barreiras que impediam a implantação da energia solar no país: o custo inicial, bem superior ao da instalação de um chuveiro elétrico; a falta de um financiamento específico, que seja quitado em 2 ou 3 anos (prazo de retorno do investimento); o Código de Obras e Edificações de São Paulo, que apenas obriga o construtor a instalar o chuveiro ou equipamento a gás, levando-o a não optar pelo sistema solar; e o desconhecimento por parte dos arquitetos e projetistas, que não sabem onde colocar o equipamento. A partir dessas constatações, o Instituto Vitae Civilis passou a discutir o tema em várias cidades brasileiras, por meio do seminário Cidades Solares - um trabalho em parceria com a Abrava.

Na cidade de São Paulo, já há casos de utilização de energia solar dignos de nota: o hotel Matsubara e a rede de academias do nadador Gustavo Borges. No caso do hotel, o retorno do investimento é mais rápido, em torno de um ano.

OUTROS MUNICÍPIOS BRASILEIROS TÊM AÇÕES ISOLADAS:

Em Belo Horizonte, cerca de 2 mil prédios empregam o sistema solar graças a uma iniciativa da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que instalou o equipamento em 5 mil habitações de interesse social. De acordo com o grupo de estudos em energia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) conhecido como Green Solar, que acompanhou essa iniciativa, as famílias beneficiadas (que ganham em média três salários mínimos) tiveram, em um prazo de cinco anos, uma economia média mensal de R$ 50,00. Em junho desse ano foi aprovado em Belo Horiaonte o Projeto de Lei 581/07, segundo o qual novas edificações são obrigadas a contar com aquecimento central, com tubulação para três fontes de energia (solar, élétrica e a gás). De acordo com a mesma normativa, o sistema de aquecimento solar deixa de figurar na catergoria de luxo na hora de calcular o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). A Light Rio teve uma iniciativa semelhante a da Cemig em Belo Horizonte, colocando-a em prática em 3.750 moradias, assim como a Companhia Energética de Goiás (CELG), em 3.500 moradias. No estado de São Paulo, a AES Eletropaulo negocia com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) a implantação dos equipamentos em 100 mil casas.

Em Birigui (SP), a Lei 4.507/05 exige a instalação de aquecedores solares em moradias que façam parte de conjuntos habitacionais populares. Neste caso, a prefeitura se auto-impõe um gasto, por ser responsável pela construção dessas residências. Campina Grande (PB) possui um programa municipal que concede desconto de 10% sobre o IPTU ao proprietário que instalar equipamento solar, e de até 15% se este for adquirido na própria cidade. Em Porto Alegre (RS), onde a Lei 04.117/06 foi aprovada, intituindo um programa de incentivos ao uso de energia solar nas edificações foi aprovada, a prefeitura oferece cursos para arquitetos, projetistas e engenheiros, além de trazer sugestões para melhorar a construção e reforçar a educação ambiental.

Outras cidades também já discutem o tema apesar de não terem aprovado nenhuma lei nesse sentido. Alguns exemplos são: Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), Campo Grande (MS), Curitiba(PR), Londrina (PR), Campinas (SP), Peruíbe (SP), Santos (SP), Piracicaba (SP) e São José dos Campos (SP)

Fonte: Revista Construção & Negócios - Ano 1 - nº 6 - Editorial Magazine.

Mais informações:

BioClean - Vidro autolimpante

Vidro Autolimpante
Self-cleaning Glass
Vidrios Autolimpiables


A mais alta tecnologia vem sendo aplicada aos materiais de construção civil com o propósito de lançar produtos inovadores, de fácil manutenção e instalação, do acabamento às estruturas das edificações.

É o caso do vidro autolimpante, cujas propriedades são possíveis graças a nanotecnologia, que utiliza materiais em escala da ordem de bilionésimos de metro. Desenvolvido pela Cebrace, em uma parceria da francesa Saint-Gobain com a inglesa Pilkington, o produto denominado BioClean é um vidro incolor no qual é depositada uma camada de mineral fotocatalítico e hidrófilo, formando uma camada protetora de longa duração.

A função autolimpante é ativada dias após a primeira exposição à luz solar. Segundo Remy Dufrayer de Oliveira Neto, engenheiro de aplicação de produto da empresa, o processo se dá por meio de duas fases: na primeira, as partículas de sujeira são quebradas em pequenos pedaços por meio da ação dos raios ultravioleta presente nas radiações solares; na segunda etapa, a característica hidrofílica da camada autolimpante faz com que a água escoe sobre o vidro, "varrendo" toda a superfície.

O vidro autolimpante ainda tem a qualidade de ser regenerativo, pois, ao receber a água da chuva, toda a sujeira é removida, liberando a camada química para novas utilizações. É o que garante Carlos Henrique Mattar, gerente de desenvolvimento de mercado da Cebrace. Outras propriedades do produto são a proteção contra raios UV e visão sempre nítida, mesmo em dias chuvosos, devido à não acumulação de sujeira na superfície. A transparência e o aspecto visual são idênticos aos de outros vidros, assim como as caracteríticas térmicas, mecânicas e acústicas.

A aplicação do produto é indicada para fachadas e coberturas, em espaços onde há incidência de raios solares. Locais com difícil acesso para limpeza também são indicados para receber o produto, desde que esteja exposto à água da chuva.

Algumas edificações e obras de infra-estrutura na Europa, como a estação de metrô da cidade de Porto (Portugal), a fachada do jornal Le Monde em Paris (França), e rodovias na Alemanha, Holanda, Itália e França já receberam aplicações do vidro. Nas auto-estradas, o produto é aplicado como barreira acústica entre o guard rail e as moradias da vizinhança.

Sede do jornal Le Monde (Paris, França)

Fergamma (Mantova, Itália)

Residência (Schiffweiler, Alemanha)

Edifício de escritórios (Bratislava, Eslováquia)

Sem deixar que a superfície dos vidros seja afetada por poeiras, vestígios da chuva, respingos marítimos, poluentes atmosféricos e orgânicos, a grande vantagem do produto é a redução na frequência da limpeza dos vidros, reduzindo drasticamente o consumo de água e o uso de produtos de limpeza. Atualmente, o custo do produto é cerca de 40% superior ao do vidro convencional.

Fonte: Revista CONSTRUÇÃO & NEGÓCIOS - Ano 1 - Nº 6 - Editorial Magazine.

Sistema construtivo 'ConcretoPVC'

Sistema construtivo 'ConcretoPVC'. Sistema racional, versátil e "moderno". Sistema sustentável?
'ConcretoPVC' constructive system. Rational, versatile and "modern" system. Sustainable system?
Sistema constructivo “ConcretoPVC”. Sistema racional, versátil y “moderno”. ¿Sistema sostenible?

Desenvolvido no Canadá e agora já disponível no Brasil, esse sistema é composto por perfis leves e modulares que são preenchidos com concreto e aço. A Braskem é a empresa que fornece as resinas de PVC, matéria-prima básica para a fabricação desses perfis, para as duas empresas detentoras da tecnologia do sistema no país, a Plásticos Vipal e a Royal Technologies.

Concreto e aço, encapsulados em perfis de PVC, dão mais longevidade ao sistema.

Já se fala que o sistema construtivo ConcretoPVC pode ser um grande aliado da redução do déficit habitacional no país se utilizado em alguns projetos, como nos desenvolvidos pela Agência Alagoana de Habitação e Urbanismo (Agahu) em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Alagoas (FIEA), ou no projeto do Módulo Sanitário Unifamiliar, desenvolvido no estado do Espírito Santo pela Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), vinculada ao Ministério da Saúde.

Módulo Sanitário Unifamiliar, desenvolvido pelo arquiteto José Carlos Pierucetti, da Braskem.

Protótipo desenvolvido para a Agahu.

Esse sistema apresenta algumas vantagens como: facilidade de montagem, elevada resistência e produtividade, durabilidade, baixa manutenção, facilidade de transporte, construção rápida e limpa, baixo índice de geração de resíduos na obra, e imunidade a fungos e bactérias (adequado para a área de saúde).

Porém, todos nós sabemos que as resinas termoplásticas são produtos petroquímicos, provenientes do petróleo, matéria-prima não renovável. Na minha opinião, mesmo com a possibilidade de se reciclar esses perfis de PVC no futuro, quando se tornarem resíduos ou entulho da construção civil e de demolição, é mais interessante (ou inteligente) investirmos em técnicas e sistemas construtivos que não utilizem matérias-primas não renováveis.

Uma outra opção interessante (não sei se viável), seria desenvolver o sistema construtivo ConcretoPVC somente a partir de matéria-prima reciclada ou reutilizada - lembrando que na Europa já foram desenvolvidas casas populares feitas a partir da reutilização de pneus velhos.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

'Green Building' passo a passo

Passos para a implantação dos 'green buildings' - para obter a certificação LEED (USGBC)
Steps for the 'green buildings' implantation - to obtain the LEED certification (USGBC)
Passos para la implantación de los 'green buildings'' - para obtener la certificación LEED (USGBC)

Com a sustentabilidade ganhando força no setor da construção civil, um dos temos que vem sendo mais trabalhado é o da certificação ambiental dos empreendimentos, segundo o modelo americano. Essa certificação é concedida pelo US Green Building Council (USGBC), entidade sem fins lucrativos criada nos anos 90 que visa promover a aplicação do conceito de sustentabilidade ambiental em empreendimentos e que envolve toda a cadeia produtiva da construção. As normas de referência para tal certificação são as do sistema Leadership in Energy and Environmental Design (LEED).

Essas normas definem critérios a serem atendidos pelo empreendimento e podem ser divididas em seis grandes capítulos:
  • Escolha sustentável do terreno;
  • Uso racional da água;
  • Uso racional de energia e emissões atmosféricas;
  • Consumo de materiais e geração de resíduos;
  • Qualidade do ambiente construído;
  • Processo de inovação e projeto.

De forma resumida, são sete os passos para obter a certificação:

1) Realizar um diagnóstico para identificar o potencial ambiental do projeto em relação aos critérios da norma LEED. Nesta etapa, avalia-se também se o empreendimento atende a sete requisitos obrigatórios: Impacto da obra no en torno; Comissionamento; Eficiência energética; Não uso do gás CFC; Instalações para coleta seletiva do lixo; Renovação do ar; Proibição de fumar no edifício;

2) Gerar propostas de intervenção no empreendimento, com a recomendação de planos de ação para a melhoria do seu desempenho ambiental, visando atingir um dos níveis de certificação: básico, prata, ouro e platina. Neste momento são avaliados os custos envolvidos na aplicação das ações e definida uma meta de certificação;

3) Desdobramento das diretrizes ambientais adotadas para a campanha de marketing e lançamento. Nesta etapa, orienta-se a agência de publicidade e a imobiliária sobre o que pode ser colocado nos folders e materiais de venda, ressaltando os diferenciais ambientais e os benefícios do edifício verde;

4) Desdobramento das diretrizes ambientais para os projetistas, que devem gerar soluções de projeto e especificações de materiais e equipamentos de forma a atender às diretrizes do empreendimento. Também nesta etapa, são qualificados e selecionados os fornecedores com condições de agregar valor ao processo de certificação, pelas características do produto e processo de fabricação;

5) Elaborar a documentação de pré-certificação do empreendimento, evidenciando como este irá atender a cada um dos critérios da norma LEED. Esta documentação é elaborada em português e inglês e enviada ao USGBC;

6) Acompanhamento da obra para verificar se as soluções de projeto, as especificações de materiais e equipamentos e as diretrizes estão sendo aplicadas no canteiro. Também nesta etapa, são realizadas palestras de conscientização ambiental aos profissionais envolvidos na obra;

7) Gerenciamento da certificação junto ao USGBC ao longo do empreendimento, sistematizando as informações técnicas e enviando-as ao Conselho Americano, de forma a evidenciar que os critérios estão sendo plenamente atendidos.

O processo se encerra ao final da obra, com a obtenção da certificação e construção do empreendimento e a sua devida divulgação ao público.

Fonte: Revista Construção&Negócios - Editorial Magazine - Ano I - Nº 5.

Prédios Etiquetados

Etiquetagem voluntária da eficiência energética
Voluntary energy efficiency labelling
Etiquetado voluntario de la eficiencia energética

Depois de três anos de discussões e trabalhos envolvendo várias instituições, como ministérios, universidades, institutos, câmaras e conselhos, nasceu a Regulamentação para Etiquetagem Voluntária de Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos. Segundo Paulo Augusto Leonelli, coordenador do grupo de estudos sobre Edificações, do Ministério de Minas e Energia (MME), o principal objetivo da etiquetagem é reduzir o consumo de energia nas edificações atuais e futuras, assim como foi feito com os eletrodomésticos. Ela seria uma etapa a mais do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), uma iniciativa do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) que já desenvolveu mais de 20 programas de etiquetagem, e que agora chega ao setor da construção civil.

Essa disposição especifica requisitos técnicos bem como métodos para a classificação de edifícos comerciais e públicos quanto à eficiência energética. Os edifícios residenciais serão contemplados em uma etapa à parte, prevista para sair até dezembro deste ano. Inicialmente, a previsão é de que a regulamentação entre em vigor, de forma voluntária, em 2008, após consulta pública do MME prevista para o segundo semestre. Segundo o professor Roberto Lamberts, um dos responsáveis pela elaboração da regulamentação, do Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (LabEEE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a idéia é começar com uma etiquetagem voluntária para atrair as construtoras e empresas do setor. Só então, quando o mercado já estiver adaptado, torná-la compulsória, o que deve levar um prazo de cinco anos.

A regulamentação está pensada e voltada para edifícos com área útil mínima de 500 m² ou com tensão de abastecimento igual ou superior a 2,3 kV (subgrupos A1, A2, A3, A3a e A4). O seu texto inicial foi elaborado pelo LabEEE e pelo Departamento de Engenharia Civil da UFSC, por meio do convênio ECV 007 / 2004, firmado com a Eletrobrás no âmbito do programa Procel EDIFICA - Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica promovido desde os anos 80 pelo governo para incentivar a racionalização da produção e do consumo de energia elétrica, visando eliminar desperdícios e reduzir os custos. O texto foi então discutido e ajustado em reuniões com a Secretaria Técnica e, finalmente, foi aprovado pelo GT-Edificações, do MME.

Fernando Pinto Dias Perrone
, chefe da divisão de projetos setoriais de eficiência energética da Eletrobrás, diz que a etiquetagem na construção civil é extremamente necessária porque as edificações são responsáveis por 44% do consumo de energia elétrica no Brasil. Segundo ele, os prédios residenciais são os que mais gastam (22% do total), seguidos pelos comerciais (14%) e pelos públicos (8%). Números da Eletrobrás dão conta de que o potencial de conservação de energia em prédios já construídos pode ser de até 30%, chegando a 50% nos novos.

A etiquetagem deve atender a três requisitos principais: eficiência e potência do sistema de iluminação, do sistema de condicionamento de ar e do desempenho da envoltória. Para casa um destes requisitos são atribuídos níveis de eficácia que variam de A (mais eficiente) a E (menos eficiente). A classificação geral do edifício é obtida por meio da atribuição de pesos para cada requisito avaliado; de acordo com a pontuação final, é obtida a classificação geral, que também varia de A a E, a exemplo do que já acontece com a classificação energética dos eletrodomésticos.


O sistema de iluminação possui peso de 30%; o de condicionamento de ar 40%, e a envoltória 30%. Além dos três requisitos principais para a classificação do nível de eficiência energética dos edifícios, existem iniciativas que podem aumentar até um ponto na classificação geral. Como exemplo, podemos citar as iniciativas relacionadas à utilização de sistemas e equipamentos que racionalizam o uso da água.

A regulamentação para etiquetagem se encontra em fase de testes dentro da rede de laboratórios de conforto ambiental das universidades do Brasil. Pretende-se que cada um deles aplique a metodologia em alguns edifícios recém-construídos ou em fase final de execução, com o objetivo de testá-la e formar uma base de dados de edificações em diferentes climas e seus níveis de eficiência. Em função desses testes a regulamentação será ajustada e lançada no mercado em 2008.

Essa iniciativa (Regulamentação para Etiquetagem Voluntária de Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos) pode auxiliar os consumidores a optarem por prédios com maior eficiência energética, além de ser um diferencial de mercado para os construtores (imagem social).

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Classificação A (mais eficiente):

Além de possuírem circuito elétrico com possibilidade de medição centralizada por uso final (iluminação, sistema de condicionamento de ar, etc), os edifícios devem suprir os seguintes requisitos mínimos para obterem uma classificação A:
  • Se houver demanda de sistema de água quente, utilizar aquecimento solar com coletor e reservatório térmico com classificação A, segundo regulamento específico do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE). Outras possibilidades são o uso de bomba de calor, aquecimento por reuso de calor, ou ainda, aquecedores a gás individuais, com classificação A, segundo o PBE;
  • Ao adotar aquecimento solar para a água, ter o máximo aproveitamento dentro da área de coleta possível; empregar coletores e reservatórios solares etiquetados com a classificação A, no âmbito do PBE / Inmetro;
  • Se o edifício possuir mais de um elevador, deverá adotar controle inteligente de tráfego para uma mesma finalidade em um mesmo hall;
  • As bombas de água centrífugas, quando utilizadas, devem fazer parte do PBE / Inmetro.

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Procel Edifica:

O Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica, executado pela Eletrobrás, tem como meta o desenvolvimento de um conjunto de projetos que visam:
  • Reduzir o consumo de energia elétrica nos prédios;
  • Estimular as ações de uso racional da energia elétrica;
  • Divulgar os conceitos de eficiência energética em edificações, inserindo o tema "Arquitetura Bioclimática";
  • Disseminar o uso de energias renováveis;
  • Empregar tecnologias mais eficientes em projetos, equipamentos e na fabricação de materiais de construção;
  • Conscientizar profissionais que podem influenciar o planejamento de uma cidade, na concepçao de projetos e na construção de prédios eficientes;
  • Elaborar guias técnicos, incluindo a revisão de publicações existentes; apoias a realização de projetos-demonstração;
  • Divulgar boas práticas nos projetos e construções, que agreguem conceitos de conforto ambiental e eficiência energética.

Fonte: Revista Construção&Negócios - Editorial Magazine - Ano I - Nº5.